sexta-feira, 23 de outubro de 2009

WallPaper SeuModesto

Esse é especial pra você que é fâ desse humilde Blog. Tá aí um super wallpaper pra você deixar seu desktop ainda mais bacana. Nas versões Full e Wide.

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Clique nas imagens para ampliar e salve-as em seu computador.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Rio 40º graus

Tiago Pereira

Pouco mais de duas semanas depois e com a poeira já um pouco assentada, eu gostaria de voltar com a pauta da vitória da cidade do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Tudo bem pra vocês? Então vamos lá.
Primeiramente gostaria de falar do lado publicitário da coisa, ou seja, da superprodução cinematográfica feita por Fernando Meireles, grande cineasta brasileiro que dirigiu o longa metragem “Cidade de Deus”. Como todo bom e velho marketeiro, Meireles fez uso da fórmula mágica para se vender qualquer coisa, ou seja, lugares bonitos, bunda, carnaval e futebol. Bom, prometer que vai fazer e acontecer qualquer um, ou qualquer cidade é capaz e, por isso, eu acredito que esse vídeo tenha valido alguma coisa para a decisão do júri ser favorável a nós. Não a mim, mas ao Brasil, ao Rio e ao povo carioca, que tanto comemoraram essa conquista.
Pois bem, o filme é realmente lindo e merece todos os elogios que recebeu, porém, se no final ao invés do logotipo do Rio 2016 tivesse o do Itaú, juntamente com o slogan Feito pra você Carioca, eu não me surpreenderia, afinal, o filme bem que parece aqueles comerciais feitos pelo Nizan (e sua Africa) para angariar clientes e mais clientes para um dos maiores anunciantes do país.
Mas voltando ao assunto, e ao ponto ao qual eu queria chegar, desde que o Rio foi eleito eu venho me perguntando por que a olimpíada merece tamanho investimento (25 bilhões, ouvi dizer) e a educação não? Porque tanta festa se a cidade do Rio de Janeiro, apesar de ser maravilhosa, vive uma guerra civil? E, porque só agora estão dizendo que o problema da violência de lá será resolvido? E se o Rio perdesse, iria continuar tudo como está, ou irá continuar mesmo agora que ganhou? Afinal, até helicópteros da polícia os traficantes já estão abatendo.
Tenho plena convicção de que o evento será um sucesso, sem maiores problemas, pelo menos estarei torcendo pra isso. Mas o que mais me preocupa é o pós-olimpíada. O rombo inevitável aos cofres públicos. O enriquecimento ilícito de certos políticos e o descaso com o que sobrar dos jogos, ou seja, vila olímpica, estádios, ginásios e parques aquáticos (vide o Pan de 2007).
Pessimista? Não. Calejado sim. As coisas no nosso querido Brasil não mudam. É como torcer pro Rubinho na Fórmula 1, não adianta, Rubinho é Rubinho. Em um país governado por coronéis como Sarney´s e ACM´s não existe lei, apenas as que eles impõem.
Porém, apesar de aguçar ainda mais o lado corrupto de nossos políticos (o outro lado também é corrupto), os jogos não serão de todo mau. O povo carioca será bastante beneficiado com esse circo todo. Para receber bem o enorme fluxo de turistas que irão desembarcar por lá em 2016 o investimento em infra-estrutura será considerável, pelo menos nos setores hoteleiros, de transporte e de segurança pública (será?). Além do mais, todo mundo sabe que turista adora gastar, principalmente se for gringo. Tem sempre uma lembrancinha, uma camiseta comemorativa (I Love Rio) ou uma mulata jeitosa os quais eles adoram aplicar seu “dinheiro”. Claro, tudo devidamente superfaturado, com pelo menos cem por cento de lucro em cada produto, da água de coco à acompanhante de luxo, senão não pode ser, senão não seriamos nós brasileiros, o povo que tem sempre um “jeitinho” para levar um a mais em todas as situações possíveis.
Claro que foi muito legal eliminar Chicago, Tóquio e Madri nessa corrida, mas ninguém aqui é trouxa e todos nós sabemos que já havia um consenso mundial a favor do Rio de Janeiro. Em minha humilde opinião a cidade mais bem preparada para receber os tais jogos seria Madri, mas infelizmente pra eles (ou pra nós), eles não levaram, o Rio e o Brasil foram presenteados com essa imensa responsabilidade e agora terão que dar conta do recado. Enquanto isso a nossa Educação fica na mesma, sem falar na Saúde, na Segurança Pública e em outros problemas mais, pelo menos até 2016, mas tudo bem, ninguém liga pra eles mesmo.
Ainda não conheço o Rio, talvez um dia eu passe por lá, quem sabe em 2015 pra ver como estão indo as obras, isso se ninguém enforcar o ano todo (como diz a recém lançada piadinha), afinal em 2014 tem Copa. Talvez eu deixe a visita pra 2017... ou talvez não.


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Pulp Fiction Typography

Você deve se lembrar bem do clássico de Tarantino chamado Pulp Fiction, certo? Então dá uma olhada nesse vídeo que revive uma das clássicas cenas do filme apenas com tipografia.



Não entendeu nada? Então relembre toda a cena.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Aos Mestres com carinho

Tiago Pereira
Difícil não plagiar o título do filme ao falar dos mestres que tive em minha vida. Desde a tia Melani (não lembro se é assim que se escreve), que me deu as mãos e me guiou até a sala de aula em meu primeiro dia na escola lá no distante Jardim I, até a professora Julia Gorla, de quem tive a honra de receber o tão desejado diploma universitário, muitos deles cruzaram o meu caminho. Pensando bem, acho que fui eu que cruzei o caminho deles, afinal, quem sempre parte somos nós alunos, os professores sempre ficam.
Depois dos meus pais, meus mestres foram os grandes responsáveis pelo conhecimento que adquiri e pela formação do meu caráter. Com eles aprendi a ler e escrever, somar e subtrair, multiplicar amizades e dividir ideias, aprendi que as plantas precisam de água e que as formigas não devem ser queimadas com uma lupa. Eles me ensinaram que, às vezes, é preciso cair para entender e aprender com as peças que a vida nos prega, e nas vezes em que eu caí, eles sempre estiveram lá para me ajudar a levantar.
Já tive todos os tipos de mestres, os chatos e os legais, os preocupados e os nem tanto assim, os tímidos e os sem-vergonhas, os extravagantes, os metidos, os pop stars, os bêbados, os que falavam baixo e os que só gritavam, os que puxavam o cabelo e os que mandavam pra fora da sala, os baixos e os altos, os magros e os gordos, os bonitos e os feios. Foram muitos, mas cada um teve a sua particularidade, a sua história e, acreditem ou não, lembro de cada uma delas, lembro das broncas e das risadas, das piadas e dos conselhos, das dicas e dos ensinamentos, mas acima de tudo, lembro de cada um com muita saudade, saudade de amigo, daqueles que a gente não vê há muito tempo.


Nasci em uma família de professores. Meu pai, minha tia, minha prima, meu irmão e minha namorada, todos professores dedicados em suas determinadas áreas, além de alguns amigos que tenho que escolheram seguir a difícil e maravilhosa arte de ensinar como caminho para suas vidas. Acho que é por isso que sempre tive o maior respeito por todos aqueles que davam a cara à tapa para trinta, quarenta e até cem alunos de uma só vez.
Professor passa por cada uma, não é mesmo? Eu mesmo já ouvi, presenciei e fui protagonista de inúmeras histórias de arrepiar os cabelos de muita gente e é por isso que eu penso que nossos mestres deveriam ser muito melhor remunerados e que tivessem seus esforços, principalmente o de tentar fazer do nosso país um lugar com menos ignorância, reconhecidos.
Através dessas palavras deixo aqui a minha humilde homenagem aos meus professores e mestres em particular e a todos os professores e mestres desse imenso Brasil. Que um dia vocês possam chegar ao lugar que realmente merecem. Feliz daqueles que tiveram professores, mais feliz daqueles que fizeram deles seus amigos.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

33ª Mostra de Cinema de SP

Esse é o cartaz da 33ª Mostra de Cinema de São Paulo, assinado pelos Gêmeos.



Deixa eu adivinhar, você nunca ouviu falar dos Gêmeos? Poxa! Em que planeta você vive? Tudo bem vai, então olha esse video e conheça um pouco mais do trabalho desses dois.

As Beatas de Salém

Junião
Os erros dos homens são tão infinitos quanto a própria sabedoria que julgam possuir. Principalmente no quesito religiosidade. Chega ser inacreditável em casos diversos a complexidade absurda e desnecessária que criam em torno do que chamam de "poderoso Deus". Chega ser inacreditável em casos múltiplos a facilidade que tem para confundir suas próprias mentes em busca de caminhos tão óbvios e explícitos. A simplicidade é sempre ofuscada por aqueles que não a conhecem como deveriam e, com isso, a fé se torna um estúpido e inútil artifício criador de cegos arrogantes, donos de uma verdade que não possuem e jamais possuirão...
Lembro-me bem da triste história daquela mulher, uma das mais "beatas" de todas as que eu já havia visto. E tão pouco pude fazer por aquela equivocada alma enquanto esteve entre os vivos. Não há forma de auxiliar quem não quer de forma alguma ser auxiliado. Principalmente os que não aceitam intervenção pois a total falta de humildade lhes dão a triste certeza de não precisarem. Além do mais minha tarefa não é a de auxiliar almas desatentas, e sim somente as conduzir exatamente para onde não imaginavam e não gostariam de ir...
Lembro-me dos médicos tentando insistentemente salvá-la. Mas, por mais que "homens" façam, não há como adiar a hora de cada um. E essa famosa "hora" é repleta de desapercebidos direcionamentos pré-estabelecidos por cada um em outros lugares. São os ecos dos gritos dados em vida que, por mais que se atrasem, sempre encontram seu real dono emitente...
Pouco após a última batida daquele coração lá estava ela, sentada ao fim de uma pequena escada de poucos degraus mal iluminados envoltos por intensa escuridão, onde eu mesmo a deixara. Seus pensamentos fervilhavam totalmente confusos, situação absolutamente normal diante dos estranhos fatos. A princípio as passagens são sempre de dificílimo entendimento. A compreensão demora a vir. A pobre gritou por socorro algumas vezes, sem obter resposta. Estava imóvel por não conseguir ver segurança para nenhum passo. Nem para cima, tampouco para baixo. Para cima as sombras assustadoras, para os lados o escuro sem fim e para baixo o negro medo. A sensação de estar rodeada por nada e flutuando no desconhecido a amedrontava demais, porém pouco havia a ser feito além de esperar. Posicionei-me no meu tradicional oculto lugar e fiquei no aguardo do que tanto já havia presenciado. Algum tempo depois uma pequena e fraca luz surgiu num próximo horizonte inexistente. Dessa luz uma voz de timbre calmo ecoou pelo breu:

- Não tenha medo... Tudo lhe será devidamente explicado em detalhes...

- Onde estou? O que aconteceu? - atropelou-se a mulher na tentativa de entender sua situação com clássicas perguntas óbvias.

- Você morreu! Mas não se apavore, está tudo bem agora. Não existe dúvida que persista por muito tempo e o tempo para todas as explicações é o que você mais tem aqui nesse lugar. - continuou a enigmática aparição de indefinida forma, na tentativa de acalmar a inconformada recém chegada.

- Se isso for alguma brincadeira de péssimo gosto eu ordeno que parem agora mesmo! Sou extremamente religiosa, muito praticante e sei que o caminho para o céu não é assim! - gritou a beata em tom ameaça para quem nem ao menos sabia o que era.

- Muito religiosa e sabe exatamente qual é o caminho para o céu... Não acha que tais palavras soam como saber demais sem saber nada, amiga? O quê a fazia acreditar tanto que o céu seria realmente seu destino merecido? - continuou a voz com clara e proposital leve ironia, usada também em outros casos parecidos.

- Mas, diante de tamanha convicção e certeza tão exata, não há mais nada que eu possa fazer aqui. Fique com Deus, religiosa extremamente praticante... Fique com Deus, como quer que você o conceba em sua mente. - concluiu com a mesma calma.

Em seguida a fraca luz no próximo horizonte se apagou e um silêncio ensurdecedor envolveu novamente o breu. Com isso a pequena escada mal iluminada pareceu ainda mais flutuante no nada que antes. Como um túmulo em forma de barco, numa noite sem lua nem estrelas em meio a um mar sem água.
O tempo não é o mesmo em todos os planos e os relógios nada mais são que tolos objetos que dão somente aos homens em seus mundinhos ilusórios a hipócrita sensação de domínio em certas situações. Por tal ainda apego a vida material ela não teve a menor noção de quanto tempo havia se passado até que pedisse novamente ajuda. Bem mais desesperada dessa vez, diante da solidão constrangedora na qual fora deixada para pensar. Após um "tempo" vendo sua inexistente força e suposto poder desaparecerem como água escorrendo pelas mãos, ela gritou por socorro; em clássico e lacrimejante tom de "por favor". É triste, mas ao mesmo tempo engraçado assistir como bravos homens se transformam em mansos cordeiros quando necessitam enfrentar suas reais múltiplas fragilidades, sem o poder material como aliado...

- Não pode ser... - disse ela quase que só para si mesma com o rosto lavado por lágrimas.

- Eu segui tudo que me foi passado e ensinado muito mais que à risca desde criança... Eu fui batizada e comunguei pela primeira vez de acordo com todas as regras da igreja... Eu fui crismada e continuei a frequentar constantemente missas, terços, novenas e demais eventos religiosos com empenho máximo... Eu cobri meu corpo e enfeitei também minha casa toda com imagens santificadas e adornos divinos... Eu fui líder de comunidade, apeguei-me e fiz tudo certo, portanto, se morri mesmo, Deus não pode ter me abandonado aqui nesse inexplicável ponto sem luz, não é correto nem justo... - continuou ela em voz mais alta, já quase convencida do seu falecimento pela situação óbvia.
E eis que, em meio às lamúrias da pobre equivocada, a voz voltou a tentar auxiliar:

- Você cita tais feitos em vida como se estivesse agora cobrando favores de Deus por uma postura religiosa de desnecessárias proporções...

- Eu não sei quem é o senhor, mas obrigado por ter voltado a falar comigo. Preciso de ajuda pois não sei o que fazer aqui. - interrompeu a morta, bem mais educada nessa nova chance.

- Fico feliz pela mudança no tom da sua voz. Talvez agora possamos nos entender melhor. A propósito, Deus não te abandonou. Não cometa ainda mais equívocos envolvendo valores e o abençoado nome do criador, pois ele a ama mais que possa sonhar. Você sim está sendo incorreta e injusta. - prosseguiu o eco.

- Então onde ele está? Por quê não veio ao meu encontro? Eu o segui na plenitude e fiz das suas ordens minha vida toda. - atropelou-se novamente a pobre.

- Não! Você está enganadíssima quanto a isso também. Seguiu na verdade ensinamentos e ordens somente de "homens". E homens erram muito mais que acertam... Além do que não se pode servir a dois senhores. E você, por livre arbítrio, optou pelos senhores que fazem da fé apenas um grande e rentabilíssimo negócio terreno, repleto de interesses pessoais movidos por dinheiro. Você jamais ponderou e comparou com inteligência os rumos a ti impostos com os ensinamentos de simplicidade máxima deixados pelo próprio Cristo. Por tal afastou-se tanto deles sem perceber. A fé verdadeira, amiga, não necessita de intermediários... Seria o mesmo que pedir a um estranho para amar seu pai ou seu filho por você... Seria o mesmo que tentar quantificar e explicar com teorias o inquantificável amor puro... - intercedeu a determinada voz com a luz voltando gradativamente a brilhar, cada vez mais forte e mais próxima.
- Mas a Bíblia Sagrada, a qual li centenas de vezes e conheço do começo ao fim, sempre ensinou e mostrou que...

- A Bíblia Sagrada... - interrompeu novamente a voz de forma clássica, antes que a mulher perdesse ainda mais seu tempo com argumentos levianos, desencontrados e pouco válidos ali na situação.

- A Bíblia é somente um belo livro extremamente metafórico e, com isso, de interpretação particular igualmente extrema. Além do que foi escrita por homens e direcionada só aos homens, de acordo com necessárias adaptações a cada momento de interesse no que vocês chamam de evolução. Ela, nem de longe, é uma cartilha imparcial de como viver corretamente, tampouco um mapa que indica o caminho para o tão sonhado paraíso... A pureza verdadeira do seu coração sim é o determinante fator de direção rumo ao Deus único. Palavras belas não salvam almas, amiga. Atitudes sim. Tanto que a própria vida em si é o mais inteligente de todos os livros, porém pouquíssimo útil para os incontáveis que não sabem... "ler".
Diante do perturbado silêncio da mulher seu enigmático interlocutor continuou:

- Você realmente sempre seguiu à risca todas as inúmeras e desnecessárias regras impostas pelas instituições religiosas, participou de milhares de ritos e cultos, ajoelhou-se por anos a fio diante de altares pomposos nos imensos templos e demais cerimonias teatrais; mas tanta complexidade a tornou somente uma chique escrava dessas inúteis próprias regras. Deus e seu insubstituível filho nos pedem apenas para que amemos o próximo como a nós mesmos e que sejamos "bons por dentro". Só isso e nada mais, independentemente do lugar. O Cristo vivo, no curto período entre vocês, disse que quem quisesse o encontrar bastava levantar uma pedra ou lascar uma madeira, pois lá ele estaria... Pena que tão poucos entenderam e seguiram realmente tal simplíssimo ensinamento. E o que aconteceu foi que a fé entre os homens se tornou uma confusa equação matemática, onde as "notas pelo aproveitamento" são dadas por outros homens, muitos desses com terríveis desvios de conduta bem ocultados...
Mais um período de silêncio seguiu-se e mais uma vez a sábia voz, direta como antes, citou exemplos em mínimos detalhes, como quem sabia realmente tratar do assunto em evidência:

- Você ia a todas as missas e novenas possíveis, mas ao sair delas blasfemava contra quem não partilhava das mesmas idéias e dedicava horas e horas do seu dia tripudiando pelo telefone em meio ao seu próprio círculo religioso. Era a dona da verdade e julgava com severidade os supostamente menos instruídos em relação ao Deus que ali haviam te personificado... Grande erro, mulher, pois somente o próprio Deus é o dono da verdade. Além do que julgar sempre foi, é e será um gravíssimo erro. Ainda mais quando opiniões pessoais, quaisquer que sejam, falam mais alto que o bom senso.

- Você pregava o amor entre os outros frequentadores do seu templo, para passar uma boa imagem sua entre eles mesmos, porém não o exercitava na prática em mais nenhum lugar além das quatro paredes santas. Nem mesmo com sua família o fazia como deveria e com imparcialidade. E quem não é capaz de amar os próprios insubstituíveis laços sanguíneos, certamente não é capaz de amar mais nada ou ninguém. O amor sincero não deve ser dito, ele tem de ser vivido. E vivido de forma generalizada em todos os momentos e cantos, com todos e em igual teor. Um amor fracionado, direcionado ou carregado de interesses jamais será um verdadeiro amor.

- Apesar da privilegiada situação social, você estava sempre amarga consigo mesma e constantemente maldizendo seus dias sem motivos lógicos. Isso também era uma grande contradição. Qualquer pequeno detalhe ruim, comum nos decorreres períodos, era invariável motivo para gritos, desequilíbrios e duras agressões verbais para quem quer que fosse. A vida é simples... Quem ama de verdade perdoa tudo e todos sem exceções, e quem perdoa não tem tempo para mau humor inútil e ódio nada construtivo. Essa é uma das básicas regras para a felicidade, pena que tão pouco seguida...

- Você desenvolveu uma idolatria quase doentia por tudo ligado somente a padres, bispos e outros cargos de poder na complexa hierarquia da sua doutrina. A partir de então nunca mais valorizou nem respeitou nada que não fizesse parte de tal casta, por maior explícito valor que tivesse. Suas palavras constantes passaram a "endeusar esses homens", de necessidades diárias como todos os outros "homens normais". Na verdade, mulher, nenhum deles tem mais proximidade com o Deus único que qualquer um dos muitos andarilhos jogados nas calçadas. A realidade é bem diferente da qual se passa na cabeça egoísta só deles mesmos. Perante o criador somos todos iguais. Todos, até mesmo os mais "poderosos" que erroneamente imaginam conhecê-lo mais de perto...

- Quanto mais você leu, instruiu-se e estudou sobre a famosa "teologia", mais se tornou uma inflexível proprietária de frases feitas. Quanto mais julgava saber, mais desrespeitava opiniões alheias referentes a diferentes crenças e caminhos mais simples de fé. Só se esquecia nos momentos de fervorosos discursos egocêntricos que, em incontáveis casos, a "simplicidade" é a única certeza evidente e coerente em tudo, e quem é simples não impõe nada nunca. Lideranças verdadeiras acontecem naturalmente, sem a necessidade de gritos estridentes ou estúpidas demonstrações de força.

- O mais triste nas tantas contradições diariamente cometidas é que Cristo em pessoa, quando entre vocês, de nada precisou além das suas incomparáveis palavras e do seu amor infinito... Peregrinou humilde e incansavelmente a pé, descalço, sem dinheiro algum e enrolado em poucos trapos... Não necessitou de construções faraônicas ou templos luxuosos para arrebanhar os irmãos e lhes presentear com a bondade máxima... Nem mesmo pequenos detalhes como imagens ou rosários lhes foram imprescindíveis para expor a pureza do seu coração... Pena que tais maravilhosos exemplos se perderam com o tempo e com a distorção de tudo por ele ensinado. Distorção elaborada por... homens!
Após um breve espaço de novo silêncio a pobre mulher, sem mais ter como sequer tentar argumentação, foi bem direta:

- Quer dizer então que eu vou para o inferno por ter acreditado em mentiras?

- Não! Não vai! Seus erros não foram de tal gravidade a ponto de merecer um destino assim. - rebateu de imediato a iluminada voz. - Na verdade o mundo dos homens há muito se tornou uma imensa vitrine. Vocês são irremediáveis e compulsivos escravos do consumismo. E a fé é somente mais um dos produtos diariamente expostos. Diante disso, sensatos são os que fazem boas compras, sábios são os que aprendem cedo a olhar através dos sujos pensamentos dos gananciosos mercadores e puros são os poucos que vencem as tentações e caminham leves por entre os traiçoeiros corredores dos mercados... - continuou com a breve explicação.

- Mesmo porque o que vocês chamam de inferno não é propriamente como suas pinturas molduram. Para muitos ele não passa somente de repetição... - prosseguiu com firmeza.

- Você se crucificou só externamente, como penitência, em uma inexistente cruz comprada num desses mercados, e isso somente te guiou até lugar nenhum. Suas palavras e seus atos jamais caminharam de mãos dadas e, por tal, terá de rever o significado de amor, de humildade e principalmente de... fé. Por mais que tenha sido involuntário, ninguém consegue ludibriar o Deus que tudo sabe, tudo vê e tudo ouve. - completou o auxiliador, calando-se por total em seguida.
Nesse momento eu comecei minha serena aproximação. Após tantos "anos" de experiência já conhecia as providências posteriores a serem tomadas, iguais as de outras ocasiões.
Esse caso foi somente mais um entre incontáveis que eu participara, referente a inversão de valores divinos cometidos por quem mais se achava correto ou correta. Lembro-me bem de algo parecido, horrível e de proporções assustadoras, mas onde o nome de Deus fora igualmente mau interpretado e usado de forma absurda. Aconteceu em 1692, na América do Norte, precisamente num pequeno povoado chamado Salém. Mais de vinte pessoas, quase todas mulheres, foram acusadas de ocultismo, julgadas sob critérios extremamente desconectos, condenadas às pressas e executadas na fogueira. Os responsáveis por tamanho erro foram autoridades religiosas locais e várias beatas que, em "nome de Deus", decidiram pelo fim de várias existências. O caso ficou conhecido entre vocês como "As Bruxas de Salém". Porém, eu melhor que ninguém posso afirmar que verdadeiramente deveria ter se chamado "As Beatas de Salém", em virtude da correta ótica para o justo lado. Mas, infelizmente, justiça no plano material poucas vezes se fez e faz presente... Sim, eu melhor que ninguém posso afirmar isso pois eu mesmo, pessoalmente, conduzi cada uma de todas as almas envolvidas na situação para os devidos e merecidos destinos. E, por tal triste tarefa, sei bem quem foram os verdadeiros "condenados" em mais essa negra passagem da história, onde a absurda certeza da santidade particular e pessoal só fez por tornar inatingível o que tão perto sempre se encontra e o que tão simples é.
Algum tempo depois, sob o nosso conceito de tempo, eu a vi novamente entre os homens. Era uma suja bebê com roupinhas rasgadas, no colo de uma imunda, maltrapilha e esquelética mulher. "As duas" estavam pedindo esmolas, coincidentemente sob a marquise de uma imensa "igreja"... Porém, nenhum dos muitos fervorosos fiéis que saiam do templo orgulhosos da própria fé sequer lhes dava atenção. Nem mesmo reparavam na presença humilde das sub-humanas vidas ali jogadas no chão frio. Uma triste inversão de situações, mas a única forma dela ver por si mesma, através do tempo e dos fatos, que nem tudo que parece ter valor é realmente valoroso. Que nem todos os que se figuram como bons santos são propriamente o que suas vestes externas mostram. Não há hóstia dominical que mostre e ilumine o caminho de quem não estende a mão nem mesmo para uma inocente criança faminta. Essa é uma das piores contradições entre lindas palavras e atos vagos, tão comuns no dia-a-dia. Fé sem obra não resulta no que se imagina e o horizonte nem sempre se torna mais próximo para quem "somente" se ajoelha...
Aliás, para os que não me conhecem, apresento-me agora... Na verdade sou chamado por vários nomes e referências entre vocês, homens. Mas, particularmente, o que eu mesmo mais gosto e acho apropriado é o termo "Barqueiro". Soa bem com minhas tarefas...
A propósito, sinceramente espero não ver nenhum de vocês em breve... Melhor, rezo para não vê-los nunca! Pois quem seguir o simples rumo certo jamais precisará da intervenção de intermediário algum para chegar onde merece, muito menos da minha. Almas boas, leves e realmente puras seguem sozinhas o cristalino "rumo certo" e não necessitam de ... "repetição".

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Johnnie Walker - 100 anos do Striding Man

Para comemorar os 100 anos do seu Striding Man, a Johnnie Walker lançou esse filme mostrando alguns dos grandes passos da humanidade.


Aqui em Ribeirão Preto tem alguns outdoors bastante interessantes que seguem o mesmo padrão da campanha.

sábado, 3 de outubro de 2009

O remédio é ser criança

Tiago Pereira

Acorda, faz manha pra levantar e pra tomar banho, de repente fica elétrico, pula, grita, corre, anda de bicicleta, skate, patins, pula corda, pula elástico e joga videogame, dorme, pede carinho, dá carinho, brinca de carrinho, viaja daqui a um outro mundo em apenas um segundo, transforma a casa em um furacão e enche de alegria qualquer coração. Para, respira, pede comida e começa tudo de novo, mas uma hora cansa e só então dorme.
O dia pra uma criança é sempre assim, pura diversão, todo dia é sábado, todo dia é dia de bagunça. Já para os pais não, a atenção tem que ser sempre redobrada, senão eles colocam fogo na casa, literalmente.
Todo dia é Dia da Criança, mas tem um em especial que tudo fica mais legal, é o dia 12 de outubro, dia de ganhar presente mesmo sem ser aniversário ou Natal. É presente do pai, da mãe, da madrinha e da professora, e o melhor, sem ter que fazer nada, apenas ser um bom filho, coisa que, convenhamos, é moleza. Além disso tudo, nesse dia é proibido tapa na bunda ou qualquer tipo de puxão de orelha, a não ser que as notas na escola estejam baixas, aí é um problema, tem vezes que não tem nem presente por conta disso.
12 de outubro é um dia abençoado, além do dia das crianças, também é dia de Nossa Senhora Aparecida, e por isso também é feriado. A regra é acordar mais cedo pra poder aproveitar o dia inteiro, com sol ou com chuva, sempre rola muita bagunça, alegria e brincadeiras com a família toda. Tem visita à casa da vovó, com direito a bolinho de chuva e brincar de cavalinho com o vovô. É um dia especial, reservado pra subir em árvores e conquistar planetas, brincar de pega-pega e pescar cometas, comer fruta direto do pé e tomar limonada com muito gelo.
Hoje é dia de pé-de-moleque, pé de moleque em chão de terra molhada, areia fofa, grama macia, é dia de toda menina se esquecer dos cabelos e pensar apenas em ralar os joelhos de tanto brincar. É dia de sonhar e acima de tudo, é dia de acreditar que a vida pode sim ser uma eterna brincadeira, com responsabilidade, mas nem por isso menos divertida.
12 de outubro é dia de tudo isso e também de uma coisa a mais, é dia de lembrar que nem todas as crianças podem ter um dia assim, mas que com a ajuda e boa vontade de todos é possível fazer com que elas tenham. Eu posso garantir que com pequenos gestos e doações, o seu dia das crianças pode ser muito mais gratificante e feliz. Doe brinquedos, comida e tudo o que puder para as pessoas que mais necessitam, mas não se esqueça do principal, doe atenção e faça uma criança mais feliz.
Estamos em outubro e temos um mês inteirinho dedicado a nós crianças, isso mesmo, eu também me incluo nisso tudo, inclua-se também, seja sempre uma criança, tenha o espírito e a pureza de uma criança e torne sua vida e a daqueles que te cercam muito melhor. Dizem que rir é o melhor remédio, pois eu digo que ser criança sim é o melhor remédio.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Eu Odeio

J. Clansman

Ódio... O mais nocivo dos sentimentos humanos. O que mais consome e deteriora a própria alma, tornando-a tão pequena quanto se possa imaginar. Porém, simplesmente fazer de conta que o ódio não existe não é o caminho ideal para controlá-lo com sabedoria. Muitas vezes é necessário experimentar seu domínio satânico para, então posteriormente, desenvolver a cura pessoal. Por tal eu jamais tive medo de enfrentar a realidade de um "eu odeio" ecoando em meu interior...
Eu odeio cada vez mais todos os nossos parlamentares - de modo generalizado e com imparcialidade partidária. Eles estão piorando a olhos vistos e cada vez mais só fazem por encenar descaradas brigas teatrais, rapidamente "arquivadas" por motivos óbvios. Só fazem cada vez mais por, na verdade, defenderem-se mutuamente de forma nojenta e mal maquiada. Recentemente um importante repórter de um conceituado programa foi literalmente "jogado" para fora do Senado por seguranças, após uma indigesta pergunta à um figurão do alto escalão governamental. Se o povo fosse "sangue quente" como deveria, esse figurão sim é quem teria sido "jogado para fora" por nós mesmos, para sempre, já que somos nós quem pagamos a conta da farra que os cerca. Farra nunca nos prestados os devidos acertos posteriores. E, por favor, não engulam essa lorota de inacreditáveis proporções chamada poder de voto. Eles não largam a substanciosa "teta governamental" por nada. Mesmo sob massacre clássico nas urnas, logo em seguida já estão novamente ajeitados pelos próprios adversários vencedores. Tudo não passa de um maldito ciclo sem fim que envolve sucessões demarcadas de acordo com... "pré-acordos". Já que são todos inatingíveis e injulgáveis - pois na verdade são - o povo, sem necessidade de violência, deveria perseguir sem trégua pelas ruas cada um dos membros desses privilegiados clãs. Eles continuariam a amontoar fortunas incalculáveis com sujeiras envolvendo dinheiro público, mas nenhum dos detentores dos poderosos "sobre-nomes" teria mais um só segundo de paz nessa vida. Simplesmente não mais caminhariam publicamente livres e despreocupados como acontece. Seria uma troca justa, pois muitos são os humildes cidadãos que também perdem literalmente suas vidas em virtude das falcatruas múltiplas dessa matilha de amaldiçoados engravatados.
Eu odeio todas emissoras de TV abertas. Elas só fazem por contribuir cada vez mais para o emburrecimento generalizado dos milhões de humildes, "cada vez mais" carentes de cultura. Nesse meio, tão nojento quanto a própria política, os interesses nocivos são a única alma dos negócios. A poderosa Rede Globo, por exemplo, recentemente decretou nova guerra santa ao "daqui a alguns dias tão poderoso quanto" Bispo Edir Macedo - Rede Record. Correto, já que o tal "bispo" é um dos maiores demônios capitalistas que já se teve notícia nesse mundo. Porém, o famoso débil mental jogador Kaká e sua mulher besta também usam seu - muito - dinheiro e influência formadora de opiniões em benefício de uma instituição de iguais diretrizes. Instituição teoricamente religiosa a qual os donos já foram presos por formação de quadrilha e evasão de divísas, entre outros lindos atributos nada comuns nos "verdadeiros líderes espirituais" que por aqui já passaram. Mas infelizmente ali se envolvem altas cifras que incluem o próprio Kaká e sua angelical imagem, Seleção Brasileira, Nike, contratos milionários de transmissão exclusiva e etc. Ou seja, é melhor deixar pra lá. Afinal, o que os olhos não veem o coração não sente. Principalmente nas telas dos coitados que só tem ela como diversão...
E por falar em Seleção Brasileira, eu odeio também o atual comercial televisivo da cervejaria Brahma, que entitula os jogadores como "guerreiros valentes". Esses homens são também somente um mínimo grupo de privilegiadíssimos profissionais que ganham valores acima de compreensão de qualquer simples mortal e têm regalias nunca sequer sonhadas pela população que se espreme nos estádios nos dias de jogos. Portanto, simplesmente não fazem só mais que obrigação em lutar por vitórias - e conseguí-las sim. "Incentivos materias" é o que não lhes faltam... Os verdadeiros "guerreiros valentes" aqui do Brasil são as mães e pais de família que se arrebentam em destrutivas longas jornadas de trabalho em troca de salários miseráveis, que chegam em casa após condições sub-humanas de transporte e mal alimentados, e ainda assim conseguem um resto de energia para uma "partidinha de futebol" em agrado ao filho com quem tão pouco convivem. Agora, se uma só minúscula vitória foi motivo para tanta - mais ainda - pompa, alguma empresa "peituda" deveria fazer uma propaganda retroativa de igual linha. Deveriam mostrar os nossos "valentes atletas" chegando no aeroporto, após terem "vendido" literalmente a copa de 1998 para a França, e devolvendo "estilingues, bolinhas de gude, pipas" e demais peretences comuns nos bolsos de "barganhadores muleques de rua". Mas, principalmente aqui no Brasil, muitas coisas devem ser obrigatoriamente esquecidas.
E já que estou mesmo com momentâneo ódio assumido, eu tenho odiado também os metereologistas brasileiros ultimamente... Dias atrás o sul do país foi mais uma vez castigado pela natureza. Tempestades, ventos fortíssimos e outras precipitações. Apesar dos recursos tecnológicos modernos, novamente nada foi "previsto" com segura antecedência. Até aí entende-se, pois a natureza tem se tornado realmente cada vez mais imprevisível em virtude das agressões intermináveis que há muito vêm sofrendo. O ruim foi ver os tais profissionais se desentendendo posteriormente só para qualificar o ocorrido. Eles não chegavam a um "termo chique" para nomear a destruição. Tempestade tropical, tornado extra, F-1, tormenta agressiva e etc... Mas de nada adianta isso. O nome agora pouco importa para quem perdeu tudo, inclusive vidas. O que importa de verdade é que esses especialistas se empenhem em detalhes mais "importantes", e não com nomes científicos carregados de "blá blá blás inúteis". Por exemplo: já começar a tentar prever quando e onde pode acontecer novamente seria de bom tamanho. Aliás, umas das maiores tragédias em termos mundiais chama-se exatamente "especialistas"... Desde que esses profissionais foram surgindo em todas as áreas com suas teorias mirabolantes, o simples complicou-se até o ponto do quase inexplicável e a complexidade desnecessária se tornou o único filão para a continuidade dos seus belos cargos. Confundem bem mais que explicam. E entre eles, claro, incluem-se também os homens do tempo. Nesse rumo em breve a classe metereologista vai se igualar a Brasília em termos de inutilidade e de "custo / benefício"...
E apenas para aproveitar o momento de ebulição particular, até mesmo os ultrapassados métodos de alfabetização das crianças têm me causado certa indigestão. Na sua fase de encontro inicial com as letras, as regras ainda obrigam que as mesmas lhes sejam primeiramente ensinadas ao estilo cursivo - "corrida", no popular. Concordo com tal nostálgico ponto, já que esse deveria ser o caminho certo. "Deveria"... Entretanto convenhamos que esse mesmo caminho de nada mais tem servido além de confundir e atrasar o aprendizado dos pequeninos no nosso atual mundo moderno. Sim, pois além do "martírio" para eles que se tornam as tarefinhas e demais obrigações referentes aquele estilo de ensino, em nenhum lugar mais são vistas as lindas e "curvilíneas" grafias de dificíl fixação na mente. Aliás, esse é o exato ponto: além dos seus torturantes caderninhos, não veem em mais lugar nenhum exemplos de utilidade das mesmas para ajudar na assimilação. Livros não adotam o estilo, propagandas não adotam o estilo, a informática e tecnologia de modo geral - tão comum hoje em dia na vida de tantos - não adotam o estilo, nem mesmo o "cardápio do Mc Donalds" adota o estilo... Ou seja, para que serve de verdade o clássico modelo? Qual a utilidade prática do aprendizado? Penso que deveriam ensinar a base nos moldes comuns, bem mais simples e rotineiramente usuais - "forma" - e posteriormente expor a opção. Mesmo porque, volto a dizer, essa mesma opção só será vista novamente no futuro em nostálgicos convites de casamento e formatura. Só nesses casos...
O ódio é realmente o mais nocivo dos sentimentos e o que mais deteriora a própria alma. Entretanto, no mundo atual - no Brasil mais ainda - é praticamente impossível fazer de conta que ele não existe. Por mais que se tente, a realidade não permite esquecê-lo em nenhum segundo. Basta, em mais esse exemplo, acompanhar também como certas instituições macabras distorcem propositalmente os tão citados de tempos pra cá "direitos humanos"... Que "direito" pode ter que nunca teve e, pior, não aceita ter dever algum? E como pode ser chamado de "humano" alguém que de humano só tem a aparência? Vide certos inacreditáveis casos diários nos meios de comunicação. Ou seja, num país onde confundem até mesmo o que teoricamente deveria ser simples, fica cada vez mais difícil evitar o apodrecimento da própria alma através do... ódio particular. Abraços e até a próxima. J. Clansman.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Viagens e Encontros

Tiago Pereira

Juntou meia dúzia de bolinhas de gude, seu estilingue de não matar passarinhos, um clips, goma de mascar, uma corda e alguns pacotinhos de biscoito.
Saiu de casa logo cedo, com sua trouxinha nos ombros e algumas idéias meio malucas na cabeça.
Viajar o mundo pegando carona, visitar lugares, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Seu nome? Juquinha. Sua idade? 10 anos.
Caminhando meio que sem rumo encontrou um ferro velho abandonado e pensou que ao invés de conhecer o mundo, ele poderia conhecer outros mundos.
Foi aí que teve a idéia de construir um foguete.
A Lua era onde mais almejava chegar, depois o restante dos planetas, todos na sua ordem: Mercúrio, Vênus, Terra (que ele já conhecia), Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão.
Isso mesmo, conheceu a todos, até mesmo o longínquo e gelado Plutão. Neste fez questão de fincar sua bandeira, dizendo que aquele não tinha nada de planeta Anão.
Depois da longa jornada ele precisava continuar com seus planos na Terra, mas por uma obra do acaso, seu foguete estava danificado e não poderia levá-lo de volta.
Por sorte ele havia assistido em uma antiga série de TV que um clips, uma goma de mascar e um bom pedaço de corda poderiam ser muito úteis em grandes viagens.
Guardou o clips e a goma de mascar em um de seus bolsos, fez um grande laço com a corda e inspirado no livro O Pequeno Príncipe, que sua mãe lia pra ele quando era apenas um bebê, laçou um cometa que vinha para as bandas de cá.
Levou algumas estrelas de recordação e com elas, mais tarde, fez um cordão.
De volta à Terra foi parar em lugar bem distante do ferro velho, em uma área mais rural, coberta de verde por todos os lados.
Seguindo em frente ele ouviu o som bastante afinado de um violão.
O velho parou de cantar quando ele se aproximou e disse: “- O que é que há meu jovem?”
Ele então se aproximou e contou ao senhor a sua história. Desde a sua fuga de casa, até a conquista de Plutão e sua volta em um cometa.
Mas o velho não acreditou na sua história e riu na sua cara. Foi aí que ele mostrou seu colar de estrelas e os risos do violeiro foram substituídos por um olhar de espanto.
Logo ficaram amigos e a conversa se estendeu. Mas o que mais intrigava o velho músico era o porquê aquele jovenzinho havia fugido de casa.
Então ele contou que havia tirado uma nota ruim no colégio e que seus pais ficaram muito bravos e o tinham colocado de castigo.
Quando o menino acabou sua história o velho lhe perguntou se ele queria ouvir uma história que seu avô lhe contava quando era pequeno. De pronto, o jovenzinho ansioso disse que sim.
Meu avô me contava a história de um jovem muito pobre, conhecido por Nenê, que adorava jogar bola e que não era muito interessado nos estudos.
Nenê estava participando do campeonato de futebol da sua escola e seu time foi para final. Ele ficou a semana toda na espera do grande e decisivo dia.
Um dia antes do jogo Nenê levou pra casa seu boletim, mas seus pensamentos estavam todos na grande final.
Sua mãe ao ver suas notas baixas não teve dúvidas, deixou-o de castigo, inclusive proibindo-o de participar do jogo do dia seguinte.
“- Mas ela não tinha esse direito. O jogo era tudo para o Nenê.” – disse o rapazote com certa indignação.
“- Pois é meu jovem, mas deixe eu continuar que você logo entenderá.”
Como você já deve imaginar, Nenê ficou muito triste e trancou-se em seu quarto.
No outro dia o resto do time veio chamá-lo para irem juntos até a escola e a mãe de Nenê disse aos garotos que ele estava de castigo.
Da janela de seu quarto ele pode vê-los indo embora, bastante motivados rumo ao jogo.
E também quando voltaram cabisbaixos, após serem derrotados. Nenê era o melhor do time e, sem ele, as coisas ficaram mais difíceis.
Pouco depois a mãe de Nenê disse que ele estava livre do castigo e que ele deveria se esforçar mais na escola se um dia quisesse ser um grande jogador de futebol.
Nenê nunca mais teve problemas com notas e também não perdeu mais nenhuma partida de futebol na sua escola.
Nenê não se tornou um grande jogador, em compensação exerceu uma brilhante carreira como médico.
Mas o fato mais curioso é que no dia da sua formatura, sua mãe lhe fez uma pergunta:
“- Você sabe porque eu não deixei você disputar aquela partida de futebol quando você tinha 10 anos?”
E o já moço e recém formado Nenê disse: “- Sei sim mamãe, foi pura e simplesmente por amor.”
Com o final da história o garoto ficou pensativo: “- Você está me dizendo que, assim como a mãe do Nenê, meus pais me deixaram de castigo porque me amam?
“- Isso mesmo.” – respondeu entusiasmado o velho músico arrancando uma nota de seu violão.
“- Acho que devo voltar pra casa então, meus pais devem estar preocupados comigo.”
“- Bom garoto, só não se esqueça nunca que tudo o que seus pais fizerem pra você, mesmo que as vezes você não entenda, tenha certeza que é com muito amor.”
Os dois se despediram felizes com a conversa e com a nova amizade que acabara de nascer.
“- Até mais senhor, obrigado pela história” – disse o menino.
“- Até mais Juquinha, faça uma boa viajem de volta.” – respondeu o barbas branca.
“- Estranho, mas não me lembro de ter dito meu nome a ele.” – pensou Juquinha, mas logo esqueceu disso e seguiu viagem. O garoto foi pra sua casa, de carona na carroça de um verdureiro da região. Enquanto isso o velho ficou no mesmo lugar e aproveitou sua felicidade para entoar mais uma canção.
Juca! Juquinha! O garoto se assustou com os gritos com seu nome e percebeu que estava deitado bem no meio do gramado do quintal de sua casa.
Olhou para os lados e viu um amontoado de latas que formavam uma espécie de foguete, um cabo de vassoura fincado na grama com um lençol amarrado na ponta, além de algumas palavras e desenhos escritos na parede com giz colorido. Um violão, um colar de estrelas, uma bola de futebol e um quadrado com as palavras “Plutão não é Anão”.
Sem entender direito o que estava acontecendo viu seus pais sorrirem pra ele da porta onde estavam.
“- E aí filhão, o que você está aprontando aqui no quintal?” – perguntou o pai.
“- Nada não pai, fui apenas conhecer o mundo e fazer novas amizades”
À noite no quarto, já livre do castigo, antes de dormir, Juquinha pode ouvir o barulho de um garoto brincando com sua bola e o som de duas mãos bastante ágeis que dedilhavam um violão.
Pela janela ele olhou o céu estrelado e disse em voz baixa ao seu melhor amigo:
“- Nos vemos amanhã.”